ÁGUAS LINDAS DE GOIÁS SOFRE COM FALTA D'ÁGUA
Aguas Lindas enfrenta período de estiagem com alerta para risco de desabastecimento de água
Município poderá ter regiões afetadas pela redução no fornecimento durante o período de seca; novos poços estão sendo perfurados, mas solução definitiva depende de obra estimada em R$ 136 milhões
ÁGUAS LINDAS DE GOIÁS — A chegada do período de estiagem reacende um alerta que há anos preocupa moradores de Águas Lindas de Goiás: a capacidade do sistema de abastecimento de água para acompanhar o crescimento acelerado da população e o aumento da demanda.
Informações divulgadas pelo portal A Última Folha, em reportagem publicada nesta sexta-feira (21), apontam que entre 10% e 15% da população atendida pelo sistema poderá enfrentar, em determinados momentos da estiagem, redução ou interrupção no fornecimento de água tratada. A estimativa mencionada pela reportagem representa aproximadamente 50 mil pessoas potencialmente afetadas.
Entre as regiões apontadas como pontos críticos estão os setores Barragens I e III, Águas Bonitas I, Jardim América I e IV, Setores IX, X e XI e a entrada do Setor II.
Crescimento da cidade aumenta pressão sobre o sistema
Águas Lindas passou por forte expansão urbana nas últimas décadas. O Censo 2022 do IBGE registrou 225.693 habitantes, enquanto bases mais recentes utilizadas em informações de saneamento trabalham com uma população de referência superior a 230 mil habitantes.
Ao mesmo tempo, informações atribuídas à Saneago indicam que o município já ultrapassou a marca de 110 mil ligações de água.
O cenário demonstra a dimensão do desafio enfrentado pelo município: a estrutura de abastecimento precisa acompanhar uma cidade que continua crescendo e que apresenta demanda cada vez maior por água tratada.
Sistema depende fortemente de poços
Segundo informações citadas na reportagem, o abastecimento de Águas Lindas é baseado principalmente na captação subterrânea.
Documento de planejamento de racionamento da Saneago teria registrado a existência de 113 poços tubulares profundos, com capacidade produtiva conjunta de aproximadamente 777,92 litros por segundo.
O mesmo planejamento aponta preocupação com a redução da vazão de alguns poços e com o aumento do consumo durante períodos de temperaturas elevadas e estiagem.
Isso significa que o problema não pode ser atribuído exclusivamente à falta de chuva. O período seco funciona como um agravante de uma questão estrutural relacionada à capacidade de produção e segurança hídrica do município.
Saneago perfura 12 novos poços
Como medida emergencial, a Saneago está ampliando a capacidade de captação subterrânea.
De acordo com informações obtidas pela reportagem original, 12 novos poços estão sendo perfurados em diferentes setores de Águas Lindas.
A expectativa é que, após a conclusão das obras, testes e interligação ao sistema, as novas unidades possam beneficiar aproximadamente 10 mil pessoas.
Embora represente um reforço importante, a medida não elimina completamente o risco. Isso porque o número estimado de moradores que poderão sofrer algum impacto durante a estiagem é significativamente maior.
Captação no Descoberto também é discutida
Outra alternativa em discussão envolve a utilização de uma balsa equipada com draga, que poderia auxiliar na captação de água destinada ao sistema do reservatório do Setor Coimbra.
Entretanto, essa alternativa ainda depende de estudos, condições técnicas e definições operacionais. Portanto, não deve ser considerada, neste momento, como uma solução já disponível para a população.
A discussão sobre a utilização do Sistema Descoberto ganha importância justamente porque uma fonte adicional de abastecimento poderia reduzir a dependência exclusiva dos poços subterrâneos.
Adutora do Distrito Federal pode representar solução estrutural
No longo prazo, uma das principais alternativas estudadas para ampliar a segurança hídrica de Águas Lindas é a construção de uma adutora para transportar água da Estação de Tratamento de Água de Ceilândia, no Distrito Federal, até os reservatórios do município.
O investimento estimado para a obra é de aproximadamente R$ 136 milhões.
Segundo as informações divulgadas pela reportagem original, a previsão é de que o empreendimento seja licitado em 2027.
A obra teria potencial para representar uma mudança estrutural no sistema de abastecimento, reduzindo a dependência exclusiva da produção dos poços e criando uma fonte adicional de água para o município.
Mais de duas décadas de concessão
A questão também precisa ser observada dentro do histórico do saneamento de Águas Lindas.
O sistema de abastecimento de água e esgotamento sanitário do município é administrado pelo Consórcio Águas Lindas, formado por Saneago e Caesb, cuja estrutura foi constituída em 2003.
Desde então, o município passou por expressivo crescimento urbano e populacional, aumentando significativamente a pressão sobre a infraestrutura existente.
O desafio para 2026
A principal preocupação para os próximos meses será verificar se as medidas emergenciais serão suficientes para garantir o abastecimento durante o período mais severo da estiagem.
A perfuração dos 12 novos poços representa uma ação concreta e pode ajudar a reduzir a pressão sobre determinadas regiões. Entretanto, a solução definitiva dependerá de investimentos estruturais capazes de acompanhar o crescimento da cidade.
Para os moradores, o resultado esperado é simples: água nas torneiras de forma regular e segura.
O período de estiagem de 2026, portanto, será um importante teste para a capacidade de resposta do sistema de abastecimento de Águas Lindas de Goiás.
Mais do que enfrentar a seca, o município precisa avançar na construção de uma estrutura hídrica compatível com a cidade que existe hoje e com aquela que continuará crescendo nos próximos anos.
Fonte da informação
Fonte principal: A Última Folha — matéria “Águas Lindas entra no período de estiagem sob risco de desabastecimento”, publicada em 21 de agosto de 2026, de autoria do jornalista João Alberto — DRT 08505/DF.
A presente publicação é uma versão reescrita e adaptada, com redação própria, produzida a partir das informações divulgadas pela fonte original.
Fonte: "A Última Folha" (https://reference-url-citation.invalid/0)
Redação e adaptação:
Waltenis Alves de Oliveira
Jornalista • Escritor • Poeta

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