MP DE GOIÁS INVESTIGA COMERCIALIZAÇÃO IRREGULAR

MP de Goiás investiga

 comercialização de 

espaço público em 

Águas Lindas












Segundo a denúncia, os terrenos foram vendidos por um 

preço muito abaixo do praticado no mercado. 

Acusados dizem que terras no local se valorizaram demais  

POR  Isa  Stacciarini


Fonte:  CORREIO BRASILENSE
postado em 09/04/2016 08:10 / atualizado em 09/04/2016 10:40


A venda de 320 lotes públicos de Águas Lindas de Goiás pelo valor de 
R$ 800 mil alertou o Ministério Público do estado, que provocou a Justiça 
para investigar um suposto esquema de irregularidades. 
O processo envolve indícios de preço abaixo do mercado, processo de 
certame inadequado e restrição da competitividade. Cada lote de 2 mil m² 
saiu por R$ 2,5 mil, enquanto a média estimada, segundo pesquisa de 
mercado realizada pelo MPG, seria de aproximadamente R$ 40 mil. 
Embora a alienação tenha ocorrido em 6 de fevereiro de 2012, a 
desconfiança só surgiu em 4 de janeiro deste ano, após o pedido da 
empresa vencedora para o registro da carta de arrematação. 
No cartório, o oficial titular duvidou dos valores. Ele instaurou um 
procedimento administrativo e apresentou o caso à 5ª Promotoria de 
Justiça de Águas Lindas a fim de verificar a suspeita de fraude pela 
modalidade de leilão, além da investigação dos preços dos lotes.

Documentos obtidos pelo Correio mostram que o metro quadrado da área 
vendida saiu por R$ 1,25. A Construtora Hábil parcelou o preço da compra 
em duas vezes: a primeira para 6 de março de 2012 e a última para 6 de abril
 de 2012. De acordo com o oficial titular do cartório da cidade, a venda com 
preço tão baixo causou prejuízo de arrecadação. À época, o corretor de 
imóveis Airton Pereira dos Anjos, vereador por dois mandatos, avaliou os 
lotes contratado pelo então prefeito do município, Geraldo Messias. 
O gestor ficou no comando entre 2008 e 2012.

Em 17 de março, o juiz da Vara da Fazenda Pública de Águas Lindas, 
Wilker Vieira Lacerda, bloqueou liminarmente todas as matrículas dos 
imóveis do leilão realizado em 2012. A decisão evitou que os lotes fossem
transferidos a terceiros. De acordo com a promotora do município, 
Tânia d’Able Rocha de Torres Bandeira, que moveu a ação cautelar, as 
suspeitas de irregularidade revelam prejuízo aproximado de R$ 12 milhões 
ao município. O processo que tramita na Justiça é contra o município de 
Águas Lindas e a Construtora Hábil, que adquiriu os lotes.

Irregularidade
Segundo o juiz, com o bloqueio dos lotes, fica impossibilitada qualquer 
tentativa de alienação. “O que existe, e isso é público, são indícios de 
irregularidade. Essas suspeitas autorizaram a decisão liminar no sentido 
de bloquear a alienação dos imóveis para tutela e transferência a terceiros 
de boa-fé, porque, posteriormente, caso os imóveis sejam reintegrados ao 
patrimônio do município, o terceiro entraria com ação regressiva contra os 
réus”, explicou. Os próximos passos do processo é abertura para o 
contraditório e audiência de instrução. “Quero concluir o caso até o fim do 
ano dependendo da quantidade de testemunhas. Se tiver menos, o processo 
pode terminar entre três a oito meses”, ressaltou o magistrado.

A promotora Tânia d’Able ressaltou que a investigação passou para a fase 
de avaliação dos imóveis. Após a análise, o Ministério Público de Goiás 
estuda entrar com ação para anular o leilão em si. “A forma como os 
imóveis foram alienados está inadequada. Deveria ser concorrência pública, 
e não leilão, de acordo com a lei”, esclareceu. Ela alertou que a empresa 
tem a intenção de fazer loteamentos na área. “Por enquanto, tomamos a 
providência de bloqueio. Entre as inconsistências está ainda a venda de 
320 imóveis em um único lote, o que restringe a concorrência. Poderiam, 
por exemplo, aparecer outros interessados, mas venderam tudo em um bolo 
só e apareceu só um licitante”, analisou Tânia. Sob o comando do atual 
gestor Hildo do Candango (PTB), a Prefeitura de Águas Lindas informou 
que presta todas as informações solicitadas e fornece o apoio necessário 
à investigação do Ministério Público de Goiás.

fonte: Correio Brasiliense

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